Era uma noite chuvosa, e relativamente encoberta pela solidão, coisa de se esperar – pode não parecer, mas sou um cara meio desapegado – e o que rondava minha mente era a ironia de ter que repetir o título Manual da paixão solitária um par de vezes a mais do que esperava para o atendente da livraria. Encomendas são encomendas. Enfim, me lembro de quase precisar fazer cada sílaba sibilar lentamente da minha língua, como quem saboreia um bonito nome feminino ou como um desses senhores que contabilizam por si só lentas lembranças de seu passado, apenas no intuito de fazê-las voltarem à vida.
Hójita, a repetição do nome me pareceu impregná-lo de mim, e me impregnar dele – mais ou menos como um jovem que decora a fórmula de Báskara depois de utilizá-lo ad nauseaum começa a apreendê-lo. Ops, desculpe, espere um pouco Maga…Sim… sim, este mesmo… Paixão solitária! O tipo de coisa, de emoção visceral sentido somente por uma das partes…Ahn?.. ah, ora o que tens na cabeça, não tem nada a ver com platonismo, meu amigo… é mais como amar e não saber bem o quê… ahn… não, não, isso não é pra mim. Quer saber, à merda com tudo isso, deixa isso aí na prateleira que eu vou ficar mesmo com O Senhor dos Anéis.