Conforme se aproxima a data que comemora minhas duas décadas inteiras e, também, conforme crescem em mim as obrigações, contas à pagar, saldos bancários – magerrímos, ou, em termos da mãe de uma amiga, ELEGANTES – códigos de cartão de crédito e um minúsculo fogo fátuo que apenas posso imaginar ser algum tipo de ânsia paterna, me vejo encurralado por uma febril sensação de independência. Somos prisioneiros da liberdade – diga isso para minhas velhas roupas de baixo.

Fato é que o Dia da Mulher me surpreendeu empreendendo um esforço de mémoria, um apanhado das femmes que fizeram parte integrante de minha vida. Da mesma forma que sei que elas me moldaram, meu recém adquirido senso de maturidade também as moldou em minha mnemônica: conheci desde garotinhas, mulheres fatais, súcubos, intelectuais e indies, que acabam sendo pouco além de conceitos. Talvez numa tentativa de vitalizá-las por maior tempo, decidi cruzar cada uma das garotas mais especiais com um personagem da literatura (acho mesmo que funcionaria como um bom afrodisíaco): sendo assim, já conheci minha cota de Sabinas, Terezas, Kareninas, Weatherstones e mesmo uma Caulfield-fêmea. Ah! E por alguma razão a Mayra sempre me lembra os universos de Tom Sawyer.

Diria qualquer um dos leitores sensatos: deixe de ser prolixo e pedante, coiote! Uma música já basta para lembrar de algúem. Faz sentido, não é? Mas minha réplica é a seguinte: há sempre algo em jogo em relações humanas, e já sofri por mulheres, é um fato natural e disto apenas um idiota guardaria rancores. Mas prefiro perder um personagem, com o qual mesmo já podia ter lá minha antipatias, do que perder uma boa canção. E acreditem, meus amigos, há muito poucas canções para se dar ao luxo de sacrificá-las. Muito poucas!

Finalizando, parabéns a vocês, gatinhas, incógnitas de Einstein, para além da física quântica e da curvatura da luz!