Eu temo. Temo que um dia as coisas belas da vida, sejam um sanduíche e uma xícara de chá em infusão nalgum canto da Pamplona, um belo sorriso ou algum pequeno cacoete de alguma garota (seus lábios de fato se movem vez ou outra para frente sob um nariz fino quando não estás a falar, Maga), sejam dispersas de seu encanto pela força esmagadora do cotidiano, do eterno retorno, do sucumbir frente aos impossíveis, a Homero e mil Ilíadas.
Temo isto. Isto e caranguejeiras. Já viste aquelas cretinas se esgueirarem pelo chão, com irregulares patas de ângulos góticos descrevendo um malicioso movimento anatômico, apenas para terminar dentro de um sapato esquecido? Senão, nem queira, meu amigo.
Nem queira: caranguejeiras, sapatos, lábios. Lábios, Homero, sanduíche.