A débil luz do automotor batia em meu reflexo, do melhor jeito que luzes débeis de automotores podem fazer nestes tempos pós-modernos. Um misto de algum personagem azul de Picasso com o bom e velho Erik das profundezas da ópera de Paris – suas cavidades oculares abismos desumanos – se destacavam do negrume da noite fria de fora, e me comtemplava infantilmente, respondia simetricamente ao meu olhar, no péssimo hábito que os reflexos parecem ter ganhado do avã que recebem desde Dionísio e Adonis. O busto monocromático me agradava entretanto, embora minha mente estivesse diluída num certo enunciado em caixa alta.
Já meu estômago se lembrava. Ah, pois é este nobre orgão o maior responsável pela mnemônica – a mente presta serviços de courier, paperboy – justamente por que, embora soe um pouco adocicado, a caixa craniana não foi projetada para comportar qualquer espécie de borboleta. Lembrava. Lembrava da famosa cafeteria ht@#vacAmalhAda. Ao entrar no recinto, fui bombardeado por nomes próprios – creio que comi com o Assunção e o José, e mais um grupo de jovens, que abafaram seus nomes com um diálogo sobre um Calígula estúpido – efiges de caneta esferográfica (algo de você, Maga), mas nenhuma conversa soou nada além de débeis murmurinhos, por mais que eu me esforçasse. Um lugar de ouvir, mas nunca escutar, de ver e nunca observar. Eis onde decidi tomar meu café, lembrou bem o vôo das mariposas.