Meu violão modelo Eagle preto precisa de um polimento, para assentar o lustra-móveis e tirar o pó que ofusca o seu negrume. Ao buscar a flanela de algodão – sua superfície entrecortada pela ferrugem 0.9 D’Addario – me lembrei do episódio de hoje a noite. Conversava com outra garota num café noturno – sim, outra além da minha femme de madeira macia e acordoamento lustroso – enquanto ela lutava contra um saco de roupa. Uma azulada peça íntima saltava com a pressão exercida, talvez como um Sócrates que se esgueirava de debaixo de seu sudário, para omitir desejosas últimas palavras – no caso, possivelmente algo sobre intimidade e cumplicidade, algo de reforço. As duas imagens – a do soutien e a do anti-sofista – não se encontraram no momento exato. Ficaram a posteriori, visto que diverti-me por demasiado imensamente tanto com a metáfora quanto com o significante. Minutos antes de escrever isto, pra ser honesto.

Meu dia-a-dia soa doce, e o acorde sustentado de meu romance remete a um jazz (em tom maior, eu sei!) e à sábia puta de Cortázar: “If you ain’t got a dollar, gimme a lousy dime!”