Mas a vida não é apenas input and output, seu resumo não está apenas nas leis de ação e reação. Se nos engalfinhamos em meios para ser feliz, alcançar nosso kibbutz , ou dormir com paz de espiríto, ou com um afago morno, é justamente por que, em muitos casos, os resultados de nossas ações não são diretamente proporcionais àquilo que damos por ela. Nesse sentido – e principalmente no sentido do romance – o princípio da Teoria de Darwin vai ao chão: afinal “a sobrevivência do mais apto” subentende esforço. Veja só, correr sob a chuva te molha em proporcional quantidade se praticada fosse menor cinética, e não importa ser o mais galante, bonito, falar sempre as coisas certas, e às coisas erradas prestar um certo tom suave. Isso não dará certeza de conseguir a garota no final da noite, le mon’ chérie.
Longe de querer ser um bronco desencantado – e igualmente distante de ser um otimista – a vida deve ser assim, uma série de vicissitudes, de dificuldades e barreiras, e a incerteza de uma luz no fim do túnel. Oh, tudo é tão passageiro e vão, Maga, se no final não nos faz – sim, de nós dois, hójita – pessoas melhores, mais aptos a enfrentar mais vicissitudes – que acredite, sempre haverão. E nada disso depende do esforço, e sim de uma certa química, de um fluxo, um regaço amplo de acaso. Talvez coragem, disposição, vá lá saber.
(O ser que escreve ama metáforas. Isso se explica pela ânsia de passar uma mensagem sem querer passar pelo crivo do concreto e do claro e exemplifica, por si só, a deficiência da comunicação verbal frente à densidade do humano)
Era já o quarto embate entre o Marcelo, do departamento de arte, e a máquina em Street Fighter IV. Não sei porquê raios, não tive vontade de tirá-lo de lá. O novo embate terminava, o Marcelo dava um riso divertido, lamentava a derrota, e eu dizia: “Ora meu caro, é assim que são as coisas. Nínguem nunca aprendeu Street Fighter vencendo” dei uma palmada leve em seu ombro, puxei a minha cadeira e reiterei “bonitão, a próxima é minha!”. E de quem mais estiver disposto a jogar.