Ontem fui vitimado, em minhas andanças, por um deja vú de carne e osso. Me refiro ao personagem da foto acima, imortalizado em silício ao acaso enquanto tentava capturar o fantasma urbano de minha cidadezinha, como num daqueles contos japoneses de casas assombradas e câmeras velhas(que a essa altura deve ter virado algum videogame…). O fato em questão é que, parado no semáforo, meu olhar encontraria novamente o dele.
Encontraria. Uma gatinha de braços delgados se engalfinhava a minha frente e o boné escuro no rosto de nosso personagem me impossibilitou de ter um contato mais claro. Minha visão, agora não mais vítrea e mecânica se perdeu nos detalhes estáticos da multidão, que calara Bryan Adams e tantos outros. Um sorriso para além do cartaz de papelão veio me encontrar num relapso e, sem o advento do technicolor, do zoom e do flash, foi apenas o que minha mente se resumiu a guardar.
O sinal abriu. A bela moça caiu um pouco para a esquerda. O homem se esgueirou para a calçada, e eu senti que tudo na vida é tão passageiro quanto o desejarmos. Mas o tempo não é uma linearidade, e os “re-rendevouz” nos encontram sob luzes vermelhas.
Deixo-os com o pequeno trecho a seguir:
Ouça-me bem amor. Preste atenção, o mundo é um moinho. Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos. Vai reduzir as ilusões a pó. Preste atenção querida. Em cada amor tu herdarás só o cinismo. Quando notares estás à beira do abismo. Abismo que cavastes com teus pés. Cartola- O Mundo é um Moinho
Fiquei a conhecer essa belíssima canção através das recomendações da srta. Luíza. E, apesar de ser uma garota estranha, chata e de gostar de encher minha cara de babaca com guarda-chuvadas, devo dizer que admiro seu gosto musical. A garota é sem dúvida uma das mais interessantes amizades que fiz esses últimos tempos e tenho a ela profundo respeito.
Falo sério…
Fiquei agora matutando sobre uma discussão interessante que tive com duas amigas (Tory e Clara) sobre a validade de um amor sem amizade. Sem dúvida daí nasceram algumas observações interessantes, que serão devidamente analisadas num post futuro.
Se eu me lembrar de faze-lo.
Por enquanto façam um favor a si mesmos: peguem uma xícara de café e ouçam “Rocks on The Road” da banda Jethro Tull (que, inclusive, inspirou esse artigo) e tenham um excelente dia.
