O céu da manhã perolada era um ser vestigial, que me recomendava o porte de meu guarda-chuva. A garoa da madrugada passada ainda persistia nas ruas arborizadas do meu bairro, convidada pelas sufocadas copas de um leve verde amarelado, encharcando uma mala cheia de compotas deixadas pela cantina de uma escola infantil próxima. Pensei que, em alguma daquelas ruas, prosseguia o comboio da guarda montada, em sua lenta ronda anacrônica. Estavam errados os estudiosos ao dizer que os veículos motorizados mataram o Flaneur, quando este estava sucumbindo desde as épocas da domesticação animal em massa. Minha reflexão quebrada pelo latido de um arisco cachorro, imaginei que morrerei de saudades da minha cidade em algum ponto de minha jornada. Oh, a insustentável leveza dos seres itinerantes!