É engraçado como novas descobertas musicais transformam nosso sangue em pura semântica, nos levando a ter aquela maldita vontade de mergulhar em nós mesmos por alguns instantes. Ó ato famigerado, se aventurar pela selva do eu é se perder sob a escuridão do ego. Mas, enfim, pelo propósito desse blog, achei que seria uma experiência positiva em desmantelar-me de minha quimera.

Pois bem. Há algumas boas semanas atrás fui procurado por um conviva meu, que me exigia que o ensinasse a ser mais culto, mais intelectual. Ora, se esse egocêntrico coiote não se sentiu em uma nobre cruzada desde então. Mas o que poderia ser eu senão um mediador a essa pobre alma, questionou morfeu enquanto eu meditava acordado. Pois um mediador serei! Afinal, nada mais sou senão um caipira que, dado aos caprichos da senhora sorte, tropeçou em alguns Sartres e Baudelaires e resolveu, daquele dia em diante, escrever e falar em léxicos complicados e inconclusivos.

Estava logo sob essa reflexão ontem de tarde quando fui surpreendido pelo som de carros de campanha eleitoral. Que discursos aqueles! Talvez os senhores engravatados que estampam as portas laterias se sentiriam um pouco menos culpados dizendo não “A esperança com Alex Manente”, mas sim “A esperança de Alex Manente”. As necessidades de votos e números para o candidato, em sua voz, se transformam em promessas ao povo, por vezes faraônicas em seu âmbito. Esperança…. ha!

Descanse em paz, Richard Wright!!! Estás em um lugar melhor…

“Pink Floyd – On the Turning Away”