Passos duros, incalculados e tampouco calculáveis (mesmo porque, convenhamos, eu tenho completa preocupação com uma pessoa que conta seus próprios passos, seus horários e sua agenda tão Kantiana). A cabeça se move de forma similar, ponderando minha natureza de ser itinerante. Eu ando sofrendo sem dúvida de mudanças, um pensamento ainda reiterado pelo gole de um café já morno (Kant se lembra, de seu trono milímetrico, que já passam das 12:00 horas).
A patologia preocupante envolve uma lista demasiado longa de dados: esqueci um bocado de gente, e me lembrei de outro bocado; abocanho um sem-número de poetas e músicos nacionais, minha camisa estampada do “Ride the Lightning!” certamente se desfiando na gaveta, marcada pelo bolor de aforismos prussianos e o blá-blá-blá de um tal Hercule Poirot; ando em uma corrente artística indie, mesclado aos meus traços antes tão confortáveis sob estampas neo-clássicas (oh! não és um exímio esbanjador esse descabelado coiote?).
De volta aos passos.
Abro a porta metálica da sacada, deparando-se com minha mãe, jogando tintas sob uma ponte bidimensional, criando aquilo que nós, dois artistas, adoramos admirar como uma ilusão tridimensional. Em uma quarta dimensão, acompanhado pelos pensamentos de outrora, a observo de meus um-e-oitenta-e-pouco metros e digo seco:
HOJE EU CRIO UM BLOG!
