“Não há nada mais âmbiguo que nossas memórias”. A anedota me pareceu cabível: embora eu conte com uma míriade de itens que me recordam os fantasmas de meu passado (que, ironicamente, se compõe exclusivamente do sexo feminino) não posso dizer que a ordem e as redes significantes que se formam não se agrupam por força de uma vontade maior. Talvez aquela que reorganiza tudo em uma narrativa de fácil aceitação, aquela mesma que cria pantheons de conforto existencial em figuras mitológicas.
Claro, botas de cano alto me lembram uma certa garota de jeans claros e casacos “planet girls”, enquanto sobreposições curtas e “boy bands” me lembram uma segunda, cuja compreensão por vezes me foge, vitimada novamente pelas mitologias do nosso sub-consciente. Uma terceira, ainda, me lembra de corpetes escuras, um jab de direita dolorosa, um aniversário numa Vitrine que, ao menos daquela vez me deixou de bom humor (gracias, Mi!) e ,enfim, que dei a ela fatalmente (leia-se: esqueci de escanear) um desenho meu de presente. Mas há casos um pouco mais complicados. Um em especial: a garota das botas me vem a mente, num sobressalto de sinapses e na revoluçao de íons, também sempre que sinto o cheiro de bolo de cenoura. Ressalto que, em uma época em que meu regime se manteve o mesmo no geral, nunca dividi com ela qualquer espécie de bolo de cenoura (música dramática!). São nossa quimeras capazes de devorar nossa memória a par de uma melhor semântica? É possível que construamos relações baseadas em ilusões fantasmagóricas? Isso sequer faz qualquer sentido?!
Enfim, de repente me sinto um bocado assustado com todo esse lance de “comunicação em redes”
“Iron Maiden – Hocus Pocus”