Era passado das 22:30. Passado tambem de uma interessante aula de sociologia, uma discussão sobre as teorias de newsmaking. Sem dúvida a última coisa que me passou pela cabeça na noite, desviando de aglomerações miscigênicas na rua Augusta. Não sei, algo nessa mítica faixa de concreto me seduz tanto quanto me deprime. Acho que o mais seguro é dizer que ela reflete e aumenta minha natureza momentânea, como numa casa de espelhos daquelas de parques de diversão.

Chegamos finalmente. A aglomeração humana na porta me pareceu demasiado homérica para valer a pena, ainda sob as diversas críticas que ouvi do lugar. “O vitrine tem uma pizza horrível”, “é lotada de emos”, “tem pizza até no banheiro!” eram frases que ecoavam por entre as sinapses já contraídas pelo cheiro de nicotina. E xilocaína. Brincadeira. Olha! Um sósia do Supla! Seria algo feito por propósito, uma campanha pró-Suplicy ou as pessoas de fato se vestem assim as vezes? Não sei… não fiquei sabendo. Fui arrancado de minhas reflexões por um chamado para entrar no recinto. O lugar é cobiçado, e parece que apenas pessoas que se encaixam num certo parâmetro comportamental tem a chance de desfrutar o ar boêmio do interior da pizzaria. Pessoas estranhas e sósias, esperem lá fora!

Já agraciado pelo abafado ar de dentro, fomos dirigidos a uma mesa antropológicamente interessante (logo na entrada), mas cujo conforto era questionável no minímo. Mesa para cinco, traga bebidas e duas pizzas. Pizzas que me pareceram boas de fato, medíocres para cima, mas longe de serem excelentes, claro. O lugar, embora lotado, não me pareceu tão sufocante. Talvez pela seleção de canções do Guns N’ Roses que deixou feliz meu eu headbanger. A conversa rolou agradável, a conta chegou e pudemos sair de novo aos ares noturnos, minha pessoa maravilhada por não ter sido obrigada a postar comentários nos fotologs de nínguem! Obrigado.

Metrô. Troleibus. Três quadras a serem vencidas à pé às 1:30 da manhã. Fui recepcionado no ponto por uma leve e quente garoa. Os ares boêmios de outrora dissolvidos sob a melancolia sub-aquática que rasgava o céu rubro da madrugada. A noite termina solitária. Sempre assim, um náutilus de possibilidades.

“Led Zeppelin – The Rain Song”