A viagem de troleibus hoje, sob um inesperado céu seco e abafado, me mostrou o horror: a admiravelmente bela garota, que atende um minúsculo celular com um olhar congelante, um sorriso da mais doce ironia e cabelos esvoaçantes que ilustrava o outdoor da operadora Claro foi discretamente trocada, no fim de semana, por um cartaz vermelho, de dizeres alvos, sobre os cursos oferecidos pela instituição de ensino Mackenzie!

Ia divagar sobre minhas novas desventuras no campo do Eros (que parecem um agoniante ciclo, um Oroboros de equívocos e falta de pragmática), mas vou poupar-lhes a retórica: a coisa toda não presta. Basta saber que a droga dos cartazes da bela garota de olhar irônico e sorriso congelante foram trocados pela porcaria do M maiúsculo de fundo vermelho.

A porta do banheiro casperiano me deixa a dica: CHUPA MAQUÊNZA!!!

“The Ink Spots – I Don’t Want to Set the World on Fire”

Ontem fui vitimado, em minhas andanças, por um deja vú de carne e osso. Me refiro ao personagem da foto acima, imortalizado em silício ao acaso enquanto tentava capturar o fantasma urbano de minha cidadezinha, como num daqueles contos japoneses de casas assombradas e câmeras velhas(que a essa altura deve ter virado algum videogame…). O fato em questão é que, parado no semáforo, meu olhar encontraria novamente o dele.

Encontraria. Uma gatinha de braços delgados se engalfinhava a minha frente e o boné escuro no rosto de nosso personagem me impossibilitou de ter um contato mais claro. Minha visão, agora não mais vítrea e mecânica se perdeu nos detalhes estáticos da multidão, que calara Bryan Adams e tantos outros. Um sorriso para além do cartaz de papelão veio me encontrar num relapso e, sem o advento do technicolor, do zoom e do flash, foi apenas o que minha mente se resumiu a guardar.

O sinal abriu. A bela moça caiu um pouco para a esquerda. O homem se esgueirou para a calçada, e eu senti que tudo na vida é tão passageiro quanto o desejarmos. Mas o tempo não é uma linearidade, e os “re-rendevouz” nos encontram sob luzes vermelhas.

Deixo-os com o pequeno trecho a seguir:

Ouça-me bem amor.
Preste atenção, o mundo é um moinho.
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos.
Vai reduzir as ilusões a pó.
Preste atenção querida.
Em cada amor tu herdarás só o cinismo.
Quando notares estás à beira do abismo.
Abismo que cavastes com teus pés.

Cartola- O Mundo é um Moinho

Fiquei a conhecer essa belíssima canção através das recomendações da srta. Luíza. E, apesar de ser uma garota estranha, chata e de gostar de encher minha cara de babaca com guarda-chuvadas, devo dizer que admiro seu gosto musical. A garota é sem dúvida uma das mais interessantes amizades que fiz esses últimos tempos e tenho a ela profundo respeito.

Falo sério…

Fiquei agora matutando sobre uma discussão interessante que tive com duas amigas (Tory e Clara) sobre a validade de um amor sem amizade. Sem dúvida daí nasceram algumas observações interessantes, que serão devidamente analisadas num post futuro.

Se eu me lembrar de faze-lo.

Por enquanto façam um favor a si mesmos: peguem uma xícara de café e ouçam “Rocks on The Road” da banda Jethro Tull (que, inclusive, inspirou esse artigo) e tenham um excelente dia.