É fato que sob o véu do cotidiano, bailam as curvas do surpreendente e do belo. Tudo o que é preciso é um senso aguçado. O caso de hoje: uma doce conversa com a To foi interrompida por um curioso pedinte, completo com a desculpa mais exótica e divertida que já ouvi. O homem dizia ser um correspondente indiano da CNN, que se perdeu ao fazer uma matéria aqui em terras brasileiras, e disse orgulhoso para nós “um dia eu ainda consigo” e fechava um pouco mais o paletó de algodão surrado, apanhado por uma repentina brisa.

Mais tarde, a cálida noite foi tomada pelo enebriante ar de um acordeon bufando Carlos Gardel, um tango roubado, pints e petiscos de milho e pimenta, destilados pela atmosfera abafada do Pub e por uma segunda, e igualmente divertida, conversa, desta vez com minha nobre irmãzinha adotiva. Bem, como podem supor, a prosa aqui é desnecessária. Afinal, colocando em termos de Jorge Luís Borges, esta noite sou o ser menos apto à literatura.

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